O ÚLTIMO CONJURADO

 

 Soares em Espanha

 Vasconcelos em Portugal

 Suplantam o diabo em manha

 Personificam o próprio mal.

 

A Lua escondera-se por detrás das nuvens. Não havia uma única estrela no céu. Em redor do Palácio da Ribeira tudo estava envolvido em silêncio e escuridão, salvo uma janela do primeiro andar, iluminada por um candeeiro a azeite. De vez em quando, a sombra de um homem passava diante dela, interrompendo, por breves segundos, a luz.

Ao longe ouviu-se o ladrar de um cão vadio e para outras bandas o miar de uma gata com cio, cujo miado quase parecia um grito humano, clamando por um tal Raul…

Envolto nas sombras, um vulto espiava a janela iluminada, atento como um animal à espreita da presa. Conseguira iludir a vigilância da guarda que prestava serviço ao palácio e estava lá muito perto. Os seus olhos claros luziam como os de um felino, observando atentamente todos os movimentos no gabinete do primeiro ministro.

Uma leve aragem corria naquela noite de Junho, balançando as folhas das árvores.

Entretanto, dentro do palácio estava a dar-se uma conversa muito interessante…
— Espero sinceramente contar com a vossa ajuda e apoio, senhor ministro. Exponho o meu nome, a minha honra, para vos ajudar na captura de tão feroz criminoso e confio poder auferir uma compensação.

 

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