QUANDO EU FUI PARDAL...

De repente e para minha grande admiração, quando o falcão já me estava quase a apanhar, surgiu um pássaro não sei de onde e bicou-o, corajosamente, no rabo, desviando-lhe a atenção. Fiquei tão atarantado que mal consegui perceber quem era. Desta vez escapara por pouco. Escondi-me entre as ramagens de uma árvore, todo a tremer e mais branco que um fantasma, certamente.

O falcão voou atrás do outro pássaro. Este, entrou rapidamente num buraco de uma árvore e o falcão perseguiu-o. Desatou a bicar a árvore, furioso e como não conseguisse nada, andou a voar em círculos à volta da árvore, esperando para atacar o meu salvador.

Fiquei sem saber o que fazer. Sentia que devia salvar aquele que me salvara, mas o medo que sentia era muito grande e paralisara-me.

Por fim, o falcão desistiu de esperar e voou dali para fora, já tarde, na minha opinião.

Voei para a árvore e espreitei lá para dentro e só então pude ver o meu salvador. Era um pássaro do meu tamanho, azulado, com o peito e a barriga amarelos e com os lados da cabeça brancos, com uma lista preta por altura dos olhos, como se fosse o Zorro. Tremia tanto que até metia impressão. Pudera! Não era para menos…

 

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