A FLORESTA ENCANTADA

  

De repente, o som de tiros atroou os ares, sobressaltando-os.

A fada parou de voar e quase caía no chão se um dos pombos não a apanhasse no dorso.

Ficaram em silêncio e só se ouvia o pica-pau Picador picando uma árvore, freneticamente, transmitindo-lhes uma mensagem inquietante. Os animais ficaram em estado de alerta.

Rita olhava para todos, assustada, sem perceber o que estava a acontecer.

— O que foi?! O que diz o pica-pau?

— Vêm aí os caçadores! Fujam! Há caçadores na floresta!!

Repentinamente, tudo se transformara num pandemónio. Pompom batia com as patas no chão, furiosamente, avisando os outros coelhos do perigo que corriam. Animais fugiam cada um para seu lado, aterrorizados.

Os olhos da pequena estavam abertos de susto e espanto.

A fada Bela parecia ficar cada vez mais branca e fraca.

— Dentola, por que está assim a fada?

— Os caçadores devem ter matado alguns animais e quantos mais matarem, mais ela fica doente…

— Bela tem de conseguir entrar no lago, senão morrerá… — informou Picoso, muito preocupado.

O pombo voava em direcção ao lago e já os cisnes estavam a postos para acudir à fadinha.

— Não tenham medo, porque eu vou dizer aos caçadores para não vos fazerem mal! — Disse a menina, mais aliviada.

Dentola virou-se para ela, espantado.

— Esqueces-te que agora és um coelho…

Rita engoliu em seco e olhou para si própria, tão triste como até há minutos atrás estivera contente.

— Peço à fada para me ajudar a voltar ao meu antigo corpo.

— Agora, ela não te pode ajudar, Rita, e tens de fugir, tal como nós. — Aconselhou o esquilo. E subiu por uma árvore, enquanto o diabo esfrega um olho.

— Vem por aqui, Rita. Não te preocupes com a fada, pois um dos pássaros já a levou ao senhor cisne — disse Picoso.

— Temos de te pôr a salvo dos caçadores — disse Pompom.

O som dos tiros das espingardas soou, perigosamente, perto.

A menina estremeceu.

— Pompom, leva a Rita para a tua toca e tenham cuidado com as armadilhas. — Aconselhou Graciosa, olhando para todos os lados, muito assustadiça.

Toda a floresta caíra em silêncio e não se ouvia nenhum pássaro, só o som de ramos a serem pisados pelas botas dos homens.

Pompom deu um encontrão à garota para a obrigar a andar mais depressa.

Os raposinhos foram abrigar-se na toca dos pais, levando com eles o urso.

— Vão ali dois coelhos, Joaquim! E se são gorduchos! — Gritou uma voz grossa e assustadora. — Atira-lhes! Depressa!

A corça, que até ali estivera escondida, vendo o caçador de arma apontada à menina, saltou sobre ele, fazendo-o cair. A arma disparou-se, atingindo Graciosa, que caiu com um baque surdo.

Rita parou, voltando a cabeça para trás. Por entre as lágrimas viu a valente corça estendida por terra. Desatou a soluçar, angustiada.

Pompom parou e deu-lhe cabeçadas no rabo, obrigando-a a correr.

Com a aflição, Rita nem via por onde ia e foi pisar numa armadilha, ficando com a pata traseira presa, dolorosamente, nos dentes de ferro.

Por mais que tentasse, Pompom não conseguia soltar-lhe a pata. Olhava para todos os lados, aflito. A todo o momento esperava que os homens os vissem e matariam a menina, com toda a certeza…

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