EM BUSCA DO MAPA PERDIDO
Um grito de coruja acordou-a. Era quase dia e uma coruja fazia a última ronda em busca de presas.
Sara olhou para o céu, piscando os olhos. Tremia e transpirava muito. Limpou a testa com as mãos a tremer. Que pesadelo inquietante!
Levantou-se, entorpecida e espreguiçou-se.
Debruçou-se nas ameias e espreitou lá para baixo. Só viu um homem que se espreguiçava naquele momento. Interrogou-se se teria passado a noite toda de vigia ou se acordara nesse preciso instante.
Outro homem juntou-se a ele e por momentos fixou-os conversando. De repente, um virou-se para cima e por um triz que não deparava com a cabeça da rapariga, que se recolheu no momento certo.
“Ops! Por pouco descobriam-me… Tenho de ter mais cuidado daqui por diante.”
Deitou um olhar atento em redor, fixando depois a estrada que ia ter ao castelo. Que bom seria avistar naquele momento os outros…
Mas a estrada estava deserta àquela hora tão matutina.
Colocou a mochila às costas, decidida, e quando ia dirigir-se para o torreão que tinha a escadaria em caracol, ouviu um som ténue.
Parou, apurando os ouvidos, tentando escutar alguma coisa. Reinava silêncio na torre, mas de repente ouviu um som baixinho. Parecia alguém a gemer. Olhou em todas as direcções, inquieta. O ruído parecia ter vindo de perto. Sobressaltada, fixou os restantes torreões. Não entrara em nenhum deles, lembrando-se da situação em que se encontravam, todos sujos com os excrementos dos pombos. Só naquele momento reparava que dois deles continuavam abertos, mas um, na direcção do torreão da escadaria estava fechado.
Ouviu novamente gemer e correu para esse torreão, com o coração aos saltos dentro do peito. Não podia crer que tivesse estado toda a noite junto do prisioneiro sem ter suspeitado de nada…
Olhou para a fechadura, esperançosa. Tinha cadeado. Não havia hipóteses de o conseguir abrir.
“Bolas! ”
Espreitou lá para dentro, semicerrando os olhos para tentar ver alguma coisa. Ainda estava lá escuro. Não se atrevia a acender a lanterna. E se fosse um dos homens que lá estivesse dentro? Podia deitar tudo a perder… Que fariam quando a descobrissem? De repente sentiu o coração quase parar.
Por instantes sentiu-se indecisa, hesitando em continuar caminho em busca da ambicionada liberdade, ou tentar descobrir alguma coisa, mas algo lhe dizia que tinha de investigar aquele som.
“Não. Não posso sair sem saber se alguém está cá mesmo preso. Sinto cá dentro que algo de muito importante se está a passar.”
De repente, bateu ao de leve na porta, tentando ver em todas as direcções, não conseguindo no lado esquerdo.
Do outro lado os gemidos pararam.
Sara voltou a bater ao de leve, sempre com receio que no piso inferior alguém a ouvisse.
De novo silêncio, mas depois ouviu-se barulho como se alguém se tentasse levantar com alguma dificuldade.
Encostou o ouvido à porta. Alguém parecia tentar arrastar-se até à porta e depois ouviu uma respiração pesada mais perto, alguém que falava com dificuldade.
– Qui est-ce?
As sobrancelhas de Sara levantaram-se, estupefacta. O prisioneiro era francês. Atrapalhada, puxou pela cabeça para se lembrar do francês, mas só dera aquela língua naquele ano lectivo que acabara e no anterior. Ainda pouco sabia, apesar de ter gostado da língua.
– Je suis Sara.