O TESOURO ESQUECIDO
Em baixo havia muitas reentrâncias húmidas passíveis de esconder aquilo que procuravam.
Disfarçadamente, começaram a espreitar lá para dentro, até que Sara soltou uma exclamação baixinho. Encontrara o que procuravam.
O seu coração começou a bater como um doido. Olhou em volta para ver se alguém estava a ver o que eles estavam a fazer, mas havia demasiada gente extasiada com o que via para reparar no que eles faziam. Paco e Simão desciam vagarosamente os degraus em espiral, receosos de se estatelarem em algum mais húmido e irem a rebolar nos restantes até se quedarem no final, todos partidos.
Com os dedos a tremer, Sara pegou no canudo molhado e enfiou-o no bolso dos calções, sentindo um arrepio, não se sabe se por estar molhado, se pela emoção de o ter encontrado.
Deu um abraço apertado a André, para espanto deste e, colocando-se em bicos dos pés, murmurou-lhe ao ouvido, muito baixinho.
— Encontrei…
André apertou-a contra si, entusiasmado e assim permaneceram por uns breves segundos.
Miguel sorriu para os dois. André piscou-lhe o olho.
— A Sara encontrou “aquilo”…
Os outros dois jovens controlaram a vontade louca de desatarem aos pulos de alegria e não podendo dar tanto nas vistas, abraçaram-se também, satisfeitos, afastando-se depois, um bocadinho embaraçados.
— Agora voltamos a subir, ou metemos por estas passagens? — inquiriu Inês, olhando para Miguel e sabendo-lhe bem a mão dele na sua, apesar do calor que sentiam. Ali em baixo estava muito mais fresco do que lá em cima.
— Vamos por baixo, claro.
Andaram algum tempo a percorrer galerias escuras, frias e húmidas até que acabaram por sair para a luz do Sol. Diante deles havia um lago, com várias pedras na água, fazendo o único caminho para sair de lá. Cuidadosamente, pisaram cada uma delas, até que colocaram os pés em terra firme, subindo uma escada de pedra, indo ter então a outro poço, por onde não se poderia descer.